Os dias passaram e a adaptação de Ian foi se dando aos
saltos a medida que ele recuperava a memória e com isso os seus poderes
celestiais. Aika levava-o para a Sweetland onde ele atendia as mesas arrancando
suspiros de todas as clientes.
- Olha aquele garoto novo, ele é a coisa mais linda você não
acha?
- Os Bishõnens são realmente patrimônios japoneses a serem
preservados. – disse outra garota na mesa dando risinhos.
Assim o Ian continuava a chamar a atenção da clientela com
sua meiguice e inocência, além de ser muito educado com todas. Ele começou até
a despertar o interesse em alguns rapazes que frequentavam a Sweetland e
começaram a dar em cima dele.
- Você não nota esses caras olhando pra você de maneira
diferente Ian? – questinou Hikari um dia quando foi visitar Aika e ele no
trabalho.
- Não sei, não conheço direito os relacionamentos amorosos
dos humanos. – respondeu ele.
- Então você está no clube da Aika.
- Ei! Só porque nunca namorei não significa que não saiba
nada sobre isso. Tenho 19 anos esqueceu?
- Com a inocência de um bebê.
E assim foram os dias dos três, morando juntos, trabalhando
e convivendo como se focem família o que de fato agora eram.
Certa noite Ian tinha demorado um pouco mais para chegar em
casa, tinha ficado no centro comprando umas roupas em uma loja que Aika e
Hikari tinham mostrado a ele outro dia e acabou se atrasando para o jantar.
Quando chegou Aika estava dormindo e Hikari ainda não tinha
voltado pra casa. Ele comeu seu jantar e subiu para o quarto que era o mesmo
onde a Aika dormia. Como ele era um anjo e tinha uma mente imaculada, Aika não
via problema algum nos dois dormirem juntos. Hikari até falava que isso só
poderia acontecer com os dois já que não sabia qual deles era mais bobo.
Ian tele transportou-se para o quarto para não fazer barulho
abrindo a porta – ele já tinha recuperado muito do seu poder angélico- e
materializou-se bem ao lado da cama em que Aika dormia o merecido sono dos
justos.
- Não podia estar mais feliz, a Aika é como uma mãe pra mim,
e a Hikari, bem, não sei bem oque dizer de alguém que vive me beliscando e
mordendo minhas bochechas. Sou sortudo por ter essas duas. – pensou ele
admirando a respiração calma de Aika.
De repente a respiração de Aika começa a ficar acelerada,
seu peito arfa freneticamente como se a sua pressão sanguínea estivesse
aumentando desenfreadamente.
- Não, pare, pare com isso por favor! Ela não é assim! –
Aika começou a gritar e se debater.
Ian tomou um susto enorme e correu em direção à cama.
- Eu amo minha irmã, você está mentindo! Morte? Não, morte
não, por favor! Ela estava gritando cada vez mais alto.
O garoto tentou tocá-la para tira-la do pesadelo, mas uma
energia sombria o arremessou contra o guarda-roupa fazendo com que caísse no
chão com o pesado móvel em cima.
- Eu sei que sou a culpada! Ela não tem nada a ver com a
minha incopetencia...
Ian levantou o pesado objeto facilmente usando telesinésia e
flutuou no quarto pronunciando palavras estranhas que mais pareciam uma melodia
lírica. No mesmo instante Aika se ergueu no ar sobre a cama e foi cercada por
uma luz prateada que a fez silenciar rapidamente. A garota parou de se debater
e sua pressão se estabilizou. Em seguida a luz a recolocou na cama e quando Ian
parou de pronunciar as palavras desconhecidas a luz se extinguiu e ele voltou
ao chão.
- Esses pesadelos da Aika estão ficando cada vez piores,
acho que terei que fazer o que eu venho evitando...
Nenhum comentário:
Postar um comentário