segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Capítulo 01 Uma viagem ao passado





Era um dia comum assim como todos os outros em uma cidadezinha da província de Miyagi no litoral japonês. Os pássaros cantavam animados e uma brisa leve refrescava os moradores que seguiam sua rotina costumeira de trabalho e estudos.

As crianças brincavam nos parques, os idosos faziam exercícios, e algumas pessoas levavam seus animaizinhos para passear pelas ruas calmas da pacata cidade. Sem nenhuma explicação o tempo começou a mudar, o céu escureceu e o ar ficou muito sombrio e gélido. De súbito trovões começaram a estremecer a cidade enquanto raios rasgavam o céu em direção a praia. As pessoas aturdidas voltavam apressadas para suas casas. O que antes era apenas uma brisa suave se transformou em um vento terrível que arrancava as árvores lançando-as contra os carros que disparavam seus alarmes loucamente.

Em poucos minutos uma tempestade terrível começou a cair e as ondas furiosas batiam com força na costa. Então o pior aconteceu, uma onda gigantesca se ergueu no mar e se lançou contra a cidadezinha arrastando árvores, carros cassas e tudo o mais que encontrava pela frente. Ouvia-se o grito das pessoas sendo arrastadas pela fúria das águas e o eco dos trovões cada vez mais fortes.

Quando a cruel tsunami passou as pessoas corriam para lá e para cá procurando resgatar quem estava ferido e tentar se proteger contra a tempestade terrível que ainda caia sobre eles. Então o pior aconteceu, uma tsunami três vezes maior que a anterior se ergueu das águas e se precipitou contra a cidade arrastando para a morte milhares de pessoas e derrubando os prédios e casas que encontrava pelo caminho. Aquela noite nunca foi esquecida.

Na manhã seguinte todos os jornais japoneses noticiavam a catástrofe na província de Miyagi e exibiam imagens da devastada cidade que mais parecia uma zona de entulhos e lama.

Um velhinho sobrevivente chamado Mikoto Sato tinha perdido toda a sua família que tinha ido à praia naquele dia, ele sobrevivera porque tinha ficado em casa e sua residência era do outro lado da cidade de forma que ficou totalmente ilesa.

Mikoto vagou pela cidade totalmente desolado com  o que tinha acontecido e com uma tristeza imensa arrasando o seu coração. Agora ele estava sozinho. Enquanto andava pelos escombros ele encontrou três garotinhas que o chamou muita atenção.  Uma das garotinhas tinha os olhos azuis como duas safiras. Ela parecia cozinhar alguma coisa em uma fogueira improvisada que tinham feito. Outra cantava em cima de uma pedra de concreto toda animada, enquanto a terceira removia uns pedregulhos e fazia a limpeza do local. Quando Mikoto aproximou-se delas notou que tinha mais crianças, dezenas delas todas abrigadas em algumas cabanas todas improvisadas com as poucas provisões que elas haviam conseguido. A garota que removia os pedregulhos parecia ser a líder pois falava com autoridade e todos a ouviam.

O velho conversou com as garotas amavelmente, e levou elas juntamente com todas as outras crianças para sua casa que era enorme, afinal Mikoto era um velho riquíssimo que tinha várias empresas por toda a Tokyo.

O nome da garota dos olhos de safira era Aika, a garota tinha apenas 9 anos e cozinhava perfeitamente bem, fazendo as refeições e vários doces para todas as crianças. A cantorazinha se chamava Hikari, era muito imperativa e estava sempre fazendo travessuras com todos e fazendo as outras crianças rirem. A terceira se chamava Asuna, tinha os olhos intensos como fogo e praticava artes marciais, era muito disciplinada e passava isso para as demais crianças.

Pouco tempo depois Mikoto morreu nos braços de Aika deixando todas as crianças desamparadas novamente. Porém ele era precavido e tratou de deixar toda a sua fortuna repartida para cada uma delas, assim que completassem 18 anos de idade. Assim todas elas foram levadas para um orfanato em uma cidade vizinha e posteriormente adotadas por famílias diferentes.

Aika, Hikari e Asuna fizeram uma promessa a qual juraram cumprir. Voltariam a se encontrar custe o que custar para viverem juntas como irmãs para sempre.

Dez anos se passaram e a promessa continua viva no coração da Aika que aguarda ansiosamente o dia do reencontro.

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